EMDR: da descoberta de Francine Shapiro nos EUA até sua chegada à Clínica Nasser em Santa Catarina
Como uma observação feita por uma psicóloga nos Estados Unidos se transformou em uma das abordagens mais conhecidas para o tratamento de traumas — e chegou a Santa Catarina pelas mãos de profissionais que ajudaram a construir essa história no Brasil.
Existe uma pergunta que ajuda a entender o EMDR:
Por que algumas experiências ficam no passado, enquanto outras continuam acontecendo dentro de nós?
O acontecimento terminou.
Mas a sensação permanece.
Uma lembrança, um cheiro, uma situação ou uma palavra podem fazer o corpo reagir como se aquela experiência ainda estivesse acontecendo.
Foi justamente tentando compreender esse tipo de reação que surgiu uma das histórias mais interessantes da psicoterapia contemporânea.
Tudo começou com Francine Shapiro

A Terapia EMDR foi desenvolvida pela psicóloga norte-americana Francine Shapiro.
Em 1987, durante uma caminhada, Shapiro percebeu que determinados movimentos oculares pareciam reduzir a intensidade de pensamentos perturbadores que estava experimentando.
Em vez de simplesmente ignorar aquela experiência, ela decidiu investigá-la.
A observação deu origem a uma sequência de estudos e experimentações. Em 1989, Shapiro publicou o primeiro estudo controlado sobre o método aplicado a memórias traumáticas.
Inicialmente chamado de EMD — Eye Movement Desensitization, o método posteriormente evoluiu para EMDR — Eye Movement Desensitization and Reprocessing, incorporando uma compreensão mais ampla do processamento das experiências traumáticas.
E aqui está um ponto importante:
EMDR não nasceu pronto.
Ele foi sendo construído a partir de uma observação, testado, questionado, aprimorado e transformado em um protocolo estruturado.
Mas o que exatamente o EMDR procura fazer?
Imagine que uma experiência emocionalmente intensa seja como um arquivo que o cérebro não conseguiu organizar adequadamente.
A pessoa sabe racionalmente que aquilo aconteceu no passado.
Mas determinadas situações do presente continuam ativando emoções, sensações físicas e pensamentos associados àquela experiência.
É justamente nesse ponto que entra o conceito de Processamento Adaptativo da Informação — AIP, desenvolvido por Francine Shapiro.
A proposta é que experiências perturbadoras podem permanecer armazenadas de maneira disfuncional e, posteriormente, ser ativadas por acontecimentos do presente.
Por isso, o EMDR não tem como objetivo simplesmente fazer alguém esquecer.
O objetivo é ajudar o cérebro a processar aquela experiência de maneira mais adaptativa.
E essa diferença muda tudo.
Você não apaga a história.
Você trabalha a forma como aquela história continua influenciando o presente.
E os movimentos dos olhos?
É aqui que muita gente conhece o EMDR — e também onde surgem alguns dos maiores equívocos.
O EMDR não é simplesmente “seguir uma luz com os olhos”.
A estimulação bilateral é utilizada dentro de um protocolo psicoterapêutico estruturado, que envolve diferentes fases de avaliação, preparação, processamento e fechamento.
Além dos movimentos oculares, podem ser utilizados estímulos bilaterais auditivos ou táteis.
E embora existam diferentes hipóteses para explicar seus mecanismos de ação, a ciência continua investigando exatamente como a estimulação bilateral contribui para os resultados terapêuticos.
Ou seja:
o movimento é apenas uma parte do processo.
O que importa é todo o trabalho psicoterapêutico que acontece ao redor dele.
Da descoberta nos Estados Unidos para o Brasil
E aqui começa uma segunda história.
Depois de desenvolvido por Francine Shapiro, o EMDR começou a se espalhar internacionalmente.
No Brasil, um dos principais nomes dessa história é Dra. Esly Carvalho.
Esly foi treinada diretamente por Francine Shapiro nos Estados Unidos e, posteriormente, recebeu autorização para levar a formação para o Brasil.
Segundo o Grupo TraumaClinic, Esly foi a única brasileira treinada diretamente por Shapiro e realizou, em 2004, a primeira formação em EMDR ministrada em português.
A partir daí, começou um processo de formação de profissionais que ajudou a expandir o EMDR por diferentes regiões do país.
A própria história da TraumaClinic registra a participação de Esly na implantação e expansão da abordagem no Brasil e posteriormente em outros países da América Latina.
Esse processo não ficou apenas na prática clínica.
Em 2023, Esly Carvalho e Raquel Hoersting publicaram no Journal of EMDR Practice and Research um estudo descrevendo justamente o modelo de formação em EMDR desenvolvido pela TraumaClinic no Brasil.
E então essa história chega a Santa Catarina
É aqui que a trajetória ganha um significado especial para a Clínica Nasser.
A Dra. Betina Nasser foi aluna direta de Esly Carvalho, tendo contato com a abordagem dentro dessa tradição de formação que chegou ao Brasil a partir do trabalho de profissionais diretamente ligados à escola de Francine Shapiro.
A partir dessa formação, Betina passou a incorporar o EMDR à sua atuação clínica e se tornou uma das profissionais pioneiras na utilização da abordagem em Santa Catarina.
Hoje, essa trajetória faz parte da história da Clínica Nasser, em Itajaí–SC.
Não se trata simplesmente de oferecer uma técnica.
Existe uma história por trás dela.
Existe uma cadeia de formação:
Francine Shapiro → Esly Carvalho → Betina Nasser → Clínica Nasser.
É uma história de conhecimento que atravessou países, gerações profissionais e diferentes contextos clínicos.
O EMDR não nasceu de uma promessa. Nasceu de uma pergunta.
Talvez essa seja a melhor maneira de entender por que o EMDR ganhou espaço.
Francine Shapiro observou algo.
Depois perguntou:
“Por que isso acontece?”
Testou.
Estudou.
Refinou.
Outros profissionais pesquisaram.
Novas hipóteses surgiram.
E o método continuou evoluindo.
Essa é a lógica da ciência.
Não é:
“Eu descobri e funciona.”
É:
“Eu observei. Agora precisamos investigar.”
E talvez seja justamente essa característica que torne a história do EMDR tão interessante.
O passado não pode ser mudado. Mas a relação com ele pode.
Uma experiência traumática não pode ser apagada.
Mas isso não significa que ela precise continuar comandando o presente.
O EMDR trabalha justamente nessa fronteira entre memória, emoção, percepção e resposta do organismo.
A proposta não é apagar aquilo que aconteceu.
É ajudar a pessoa a conseguir olhar para sua própria história sem necessariamente continuar vivendo emocionalmente dentro dela.
O passado continua fazendo parte da história.
Mas não precisa continuar ocupando o lugar de protagonista.
EMDR na Clínica Nasser
Em Itajaí–SC, a Clínica Nasser integra o EMDR à sua proposta de cuidado em saúde mental e à sua visão de integração entre psicologia, medicina e neurociências.
A trajetória da Dra. Betina Nasser, formada dentro da escola de profissionais que ajudaram a trazer e desenvolver o EMDR no Brasil, representa parte importante dessa história em Santa Catarina.
Para a Clínica Nasser, essa trajetória não significa apenas oferecer uma abordagem terapêutica.
Significa preservar uma tradição de conhecimento que começou com Francine Shapiro, chegou ao Brasil por profissionais como Esly Carvalho e encontrou em Betina Nasser uma das profissionais que ajudaram a levar essa abordagem para Santa Catarina.

Porque, quando falamos de trauma, não estamos falando apenas sobre o que aconteceu.
Estamos falando sobre aquilo que ainda acontece dentro da pessoa quando ela se lembra.
E é justamente aí que começa o trabalho terapêutico.
Clínica Nasser | Itajaí – SC
Onde ciência encontra potencial humano.